Almoço Express

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Nos dias de hoje, com tanta correria, com tanta falta de tempo, com tanto olho no relógio e nos prazos, às vezes, nem almoçamos. Não sobra tempo. Então como sobreviver, ou melhor, como viver em meio a este caos sem abrir mão das condições consideradas essenciais à manutenção da vida?

Ok. Posso estar exagerando. É que a ideia é louca mesmo e fiquei imaginando que tipo de gente eu poderia encontrar por ali. Executivos que comem a toque de caixa? Estudantes multitarefados???

Enquanto esperava uma amiga aparecer na saída do metrô São Bento para a Ladeira Porto Geral, fiquei de pé, perto da traquitana. Se trata de uma vending machine, operada por um cozinheiro que prepara croquetes e coxinhas na hora. Ao inserir as moedas na máquina, uma das pequenas portas se abre e o cliente pode retirar seu salgado. Simples assim.

Com seus 3,75 m², é considerada a menor loja da cidade e a empresa garante que é tudo fresquinho. De fato, não há opção de lanche mais express na Pauliceia.  

Quickies: Ladeira Porto Geral, 14 – perto da Rua 25 de Março.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 04.12.14.

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Museu ao ar livre

O programa em questão é um desses que, à primeira vista, pode causar uma certa estranheza sobre a condição “turística”. Mas deixando o preconceito de lado, é possível enxergá-lo como uma ótima opção para aprender um pouco sobre arte e história.

O programa é esse mesmo que você está pensando. Já estou lendo seus pensamentos: “não acredito que ela vai falar de cemitério”. Ora, se essa ideia soa tão desagradável, recomendo pular para o próximo post. 

O Tour no Cemitério da Consolação tem até guia turístico para contar a história dos túmulos e de seus donos. O nome dele é Francivaldo, também conhecido como Popó devido à semelhança física com o boxeador. É cearense e, assim como eu, mais um filho adotivo de São Paulo. Chegou na década de 80, ainda jovem, em busca de oportunidades de trabalho. Depois de trabalhar como porteiro, pedreiro, entre outras coisas, trabalhou como sepultador no Consolação.

Durante o expediente, ainda como sepultador, Popó corria para a tumba mais próxima do grupo de visitantes monitorado pelo seu chefe: o professor Délio Freire dos Santos, pioneiro na ideia de visitas monitoradas por cemitérios paulistanos. Tentava ouvir a explicação, os nomes e as datas, escondido atrás das lápides. Anotava nas mãos tudo o que iria pesquisar depois na biblioteca.

Em 2000, Popó foi promovido: de coveiro a monitor. Seu tour sobre as várias personalidades presentes no Consolação, como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade, é imperdível. Experimente perguntá-lo sobre qualquer nome de rua da região que ele dirá quem foi e onde se encontra enterrado. Sensacional!

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Visita monitorada ao Cemitério da Consolação:
Acontece de segunda a sexta, com uma hora de duração. É preciso ligar para o telefone (11) 3396-3815/3833 para agendar. Gratuita.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 27.11.14.

Mito

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Estava voltando do meu curso de espanhol, sábado pela manhã. Foi então que testemunhei uma cena que me fez pensar na hora: “Que cidade louca!”. Vi, pela primeira vez, o rei do rock’n’roll, em plena Avenida Paulista. De botinha branca de bico fino, camisa aberta, calça apertada, óculos com a costeleta embutida e muito gel, o homem que dava vida ao Elvis, fazia da lixeira o seu palco e do orelhão, seu camarim.

E antes que eu pudesse achar que se tratava de uma gravação para algum seriado anos 60/70, comecei a ouvir aplausos e gritinhos dos que passavam. Foi quando Marcio Henrique de Aguiar, o Elvis da Paulista, começou a cantar Suspicious Mind. Nessa mesma hora, o sinal – farol para os nativos de Essepê – fechou e o ônibus que passava abriu a porta para que ele subisse. Sem dúvida, esse é o momento ápice da apresentação. Sob muitos aplausos, o Elvis paulistano cantou em show particular para os 15 passageiros do ônibus. Arrasou!

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Como todos sabem, Elvis não morreu. Está na Avenida Paulista, em frente ao Shopping Center 3.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 20.11.14.

Faça você mesmo: barra de chocolate com pistache e tiras de coco

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1. Escolha o formato do chocolate. Pode ser retangular, quadrado ou ainda, de coração. Tudo vai depender das suas intenções ❤;

2. Depois, escolha a base do chocolate (meio amargo, ao leite ou branco) e preencha com ela a fôrma escolhida;

3. Pra finalizar, acrescente pistache e tiras de coco ao chocolate. Eles irão realçar o sabor da sua criação;

4. Leve a mistura ao freezer por 20 min e a sua barra de chocolate já está pronta.

SUGESTÃO: Não deixe para comer depois. O chocolate recém-resfriado é maravilhoso e não é todo dia que temos essa chance. Em geral, comemos chocolate meses depois dele ser embalado.

Rendimento: 1 porção de 100g.
Dificuldade: Só a de escolher os ingredientes. Afinal de contas, são mais de 50 opções.
Tempo: Se você é uma pessoa que sabe o que quer, apenas 20 minutos. Esse é o tempo necessário para a refrigeração do chocolate.
Preço: Varia entre R$12,90 e R$15,90 o tablete e entre R$1,90 a R$4,90 o ingrediente adicionado.
Calorias: Melhor nem perguntar.

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Assim é a My Swiss Choco. O sistema “faça você mesmo” da loja sugere que o chef seja o próprio cliente e há várias opções de ingredientes para que ele se sinta no controle da situação. Tem confete, m&m e castanhas pra quem não acordou tão inspirado. Sal do Himalaia, wasabi e pétalas de rosa, entre outros 30 ingredientes exóticos, pra quem gosta de inovar. Mas o que eu realmente adorei na My Swiss Choco foi a chance de poder comer um chocolate na hora, recém-resfriado. Uma delícia!

My Swiss Choco: Rua Haddock Lobo, 1.327 / Shopping Villa Lobos / Morumbi Shopping.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 13.11.14.

Bem casados para todos os dias do ano

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Tem gente que acha romântico, tem gente que acha supérfluo, desnecessário e até démodé. Mas verdade seja dita, na hora do “vamos ver”, ninguém é indiferente a uma cerimônia de casamento. Todo ritual, da entrada dos padrinhos até a bênção do padre é emocionante e nessas horas, o mais seguro é não inovar.

Nos últimos anos, o casamento se tornou um negócio bilionário, movimentando a economia e gerando empregos em diferentes tipos de serviços. Há de tudo por aí, desde álbum de fotos 3D até véu com LED que brilha no escuro. Mas entre todas as opções disponíveis no mercado, apenas uma não pode faltar quando o casal opta pelo sacramento do matrimônio: o bem casado.

O doce que faz a alegria dos convidados e invade festas de casamento há séculos, representa a união: são duas partes que se unem – 2 metades de pão de ló – tornando uma só. Por isso, ao final da cerimônia, ele é distribuído aos convidados para que estes abençoem o casal. Mas quem disse que o doce é exclusivo dos casórios?

Numa loja diminuta nos Jardins, chamada Fina Nata, é possível comer bem casados todos os dias do ano. Sim! Isso mesmo que você leu. Você não precisa mais esperar até o próximo casamento para matar a vontade de comer. Na loja, que mais parece uma joalheria, é ainda possível consumi-los em várias versões (R$4,70/unidade) com cafés Nespresso (R$ 4,90), chás franceses Mariage Frères (R$6,90) ou com o espumante português Aliança (R$ 11,00 a taça).

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O menu conta com 8 sabores fixos – tradicional, capim santo com limão, gianduia, doce de leite com coco, pistache, chocolate com pimenta, caramelo com flor de sal e baba de moça com geleia de damasco – além dos sazonais, criados a cada estação do ano. E entre tantos sabores, acabei experimentando o tradicional mesmo. Só na segunda visita arrisquei. Deixei o tradicional de lado e optei pelas criações exclusivas da casa. Dentre elas, a que eu mais gostei foi a de caramelo com flor de sal.

E assim, seguimos felizes com bem casados nos abençoando todos os dias.

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Fina Nata: Alameda Tietê, 43 – Loja 2 – Jardim Paulista. Seg – Sex: 10:00 – 20:00 / Sáb: 11:00 – 19:00. Aos domingos, é possível degustar os bem-casados na Feirinha Gastronômica da Benedito Calixto.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 06.11.14.

Uma loja só de marmitas, lancheiras e similares

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Olhe atentamente para a imagem acima e tente descobrir o que é. Difícil? Ok. Aqui vai a primeira dica: o objeto em questão pode ser dobrado, amassado, torcido e enrolado até ficar com ¼ do seu tamanho. E agora? Vai arriscar? Ainda não? Bem… Vamos à segunda dica: o anel de metal que o objeto em questão mantém em sua abertura permite que ele seja pendurado no cinto, na mochila ou na bolsa. E aí? Descobriu?

E a resposta certa é… uma garrafa.

Se você acertou, parabéns! Veja o privilégio que é em ter o olhar bem apurado. Você errou? Acontece. Se servir de consolo, também não fui capaz de identificar. Ponto para o design! DESIGN 1 X 0 EU.

Assim me senti dentro da Bento Store, primeira loja especializada em portabilidade de alimentos do Brasil. Seu nome vem dos bentôs, as “marmitas” japonesas e seu interior, também. Em formato de caixa, com paredes e teto revestidos de divisórias, a loja é um desafio à intuição e à criatividade.

Em cada “compartimento” da loja há uma criação mais linda (e utilitária) que a outra. Na Bento Store, mochilas se transformam em jogo americano, em toalha de piquenique e em tábua para cortar frios. Há também saquinhos de pão térmicos que funcionam como marmitas, guardanapos de algodão reutilizáveis (depois de lavados, claro) e garrafinhas como essa da imagem, feitas de silicone e bem fáceis de transportar.

É tudo muito bem exposto, mas algumas funcionalidades só pude entender na bancada central. Ali, o vendedor explicou e simulou as diversas funções de cada produto. Só assim para entender o Foodskin Compleate, por exemplo. Trata-se de uma pele de silicone altamente elástica capaz de manter o formato do sanduíche no momento exato em que ele é embalado; com todos os ingredientes em seu devido lugar. Também pude observar que sopas podem ser transportadas sem risco de vazar e frutas sem risco algum de amassar. Design é tudo. Ponto pra ele.

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Bento Store: Rua da Consolação, 3.344, esquina com a Alameda Lorena – Jardins.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 30.10.14.

Uma loja só de amêndoas

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Sabe aquelas balinhas de amêndoas que costumavam servir de lembrancinha em batizados, casamentos, bodas e festas de 15 anos? Pois bem. Nunca gostei delas. Também nunca entendi o significado de dar tais balinhas como registro de um momento tão especial. Elas são amargas, certo?!

Na casa dos meus avós, era comum encontrar dessas balinhas em potes de vidro. Sempre à vista, capturavam a minha atenção por serem coloridas, mas eram altamente traiçoeiras: tornavam-se amargas à medida que se ia chupando e terminavam em um recheio nada mastigável. Como não possuía dentes de aço para chegar até o fim, acabava descartando ainda pela metade, já arrependida de ter colocado na boca.

Dito isso, imagine a minha surpresa ao me deparar, numa rua dos Jardins, com uma loja especializada nessas balinhas? Quase caí dura. Em tempos de bem-casados, cupcakes e macarons, não imaginava que elas ainda faziam sucesso. Também não preciso falar que hesitei muito antes de entrar. A minha lembrança ainda era bem amarga, mas, por fim, acabei me rendendo.

A loja é uma verdadeira armadilha. Ao entrar, você se sente compelido a girar para todos os lados, pois suas prateleiras estão forradas de potes de vidro e incríveis embalagens numa gama inimaginável de cores.

Passado o impacto inicial, você é surpreendido com um cardápio de sabores. Sim, são 37 sabores de amêndoas. Além das versões tradicionais, existem as versões frutais, como banana, coco, pêssego e tangerina; as florais, com essências de rosas e violetas e as mais inusitadas, como Cappuccino, Whiskey e Champagne.

Capturada totalmente pelo visual, acabei me deixando seduzir pelas amêndoas milanesas – sim, elas vêm direto de Milão!e me surpreendi. Docinhas até o fim e totalmente mastigáveis, me convenceram de que podem sim, ser boas lembranças.

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Conti Confetteria: Alameda Franca, 1.153 – Jardins

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 23.10.14.