Comer, rezar e amar… em São Paulo!

Há 15 anos, a jornalista americana Elizabeth Gilbert decidiu que era hora de se conhecer depois de enfrentar um divórcio dolorido. Em busca de novos significados e autoconhecimento, ela largou o emprego e partiu para uma viagem de um ano de duração, sozinha, com o objetivo de examinar alguns aspectos de sua própria natureza.

Na Itália, Liz descobriu o verdadeiro prazer da gastronomia; o comer sem medo das calorias. Na Índia, ela aprendeu a rezar, a meditar e a perdoar alguns erros e atitudes até então consideradas erradas. E na Indonésia, ela exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina, aprendendo a se amar e a se deixar amar.

Como nem todo mundo pode largar tudo para tirar um ano sabático, decidi montar esse pequeno roteiro por São Paulo, contemplando as três etapas da peregrinação que a autora de “Comer, Rezar, Amar” impôs a si mesma. É, portanto, um guia de lugares para você, assim como a Liz, refletir sobre a vida e traçar novos objetivos, sem gastar uma fortuna se deslocando até o outro lado do mundo.

PARTE I: COMER

Por conta do café e das muitas oportunidades de trabalho criadas com a expansão da lavoura no século XIX, muitos imigrantes, em grande parte da Itália, desembarcaram na capital paulista (Estação do Brás). Embora a maioria continuasse a viagem para o interior do estado, muitos ficavam, iam se instalando e abrindo seus pequenos negócios. Isso fez de São Paulo uma das maiores e mais importantes comunidades italianas do mundo e por isso, não faltam cantinas, pizzarias e sorveterias por aqui. Nessa primeira etapa da “viagem”, faça como a Liz: deixe a ditadura da magreza de lado e permita-se comer sem culpa em São Paulo. É só uma fase.

• PIZZARIA SPERANZA – Essa pizzaria é obra do talento e disposição de uma família de Nápoles (sul da Itália) que chegou a São Paulo no final dos anos 50. Seo Francesco Tarallo e Dona Speranza trouxeram na bagagem várias receitas, elaboradas no dia a dia da família. Começaram em uma pequena instalação para um pequeno público, e em pouco tempo se mudaram para o endereço que estão até hoje, na Rua 13 de Maio. Em 1979, nasceu a segunda unidade, em Moema. A pizza da Speranza está entre as melhores que comi até hoje! Endereço: Rua 13 de Maio, 1004 – Bixiga /Av. Sabiá, 786 – Moema.

• CANTINA MONTECHIARO – Fundada em 1974 por um filho de italianos, a Montechiaro mantém no cardápio cerca de 300 pratos. O mais famoso entre eles é a perna de cabrito, seguido do fusilli ao molho de tomate e calabresa. A decoração do lugar recria um lar italiano com dois salões amplos em formato de arco. Endereço: Rua Santo Antônio, 844/846 – Bela Vista.

• SORVETERIA DRI DRI – A matriz dessa sorveteria encontra-se em Londres, mas foi em Capri que o dono italiano buscou inspiração. Aqui, em São Paulo, ela foi trazida por dois franceses (eita, globalização!) depois do sucesso obtido em Londres. Esse sucesso todo deve-se ao fato de seus gelatos serem mais magros (têm até 6% de gordura) e de seus ingredientes serem todos premium: as amêndoas vêm da região de Puglia, a baunilha é de Madagascar e o Pistache é comprado na Sicília. É o que garante seus donos. Os gelatos são fabricados diariamente e sem conservantes. Endereço: Rua Padre João Manoel, 903 – Jardim Paulista / Cidade Jardim Shopping.

• RISTORANTE TAORMINA – Esse restaurante italiano é um dos poucos da cidade dedicado fortemente às receitas da Sicília. Além de antepastos como berinjela à parmegiana e as famosas massas, nesse estabelecimento também é servido o famoso cannoli de sobremesa; tubinho recheado tipicamente siciliano. Endereço: Alameda Itu, 251 – Jardim Paulista.

• TRATTORIA LELLIS – Assim como tantos outros aqui em SP, essa trattoria foi fundada por neto de italianos. Funciona desde 1981 e sempre foi sinônimo de sucesso. Sua decoração lembra uma típica casa italiana e suas massas são servidas em porções fartas, com bastante molho. No cardápio, destaque para o rondeli, com recheio de uvas passas, nozes e ricota, e o canelonni verde, que leva salmão e ricota. Há também opções de risotos, sopas, frutos do mar e carnes; o famoso filleto à parmegiana está presente entre as opções de carnes. Endereço: Rua Bela Cintra, 1.879 – Consolação.

PARTE II: REZAR

Na Índia, Liz se dedicou à arte da devoção e, com a ajuda de uma Guru, embarcou em quatro meses de contínua exploração espiritual. Mediante algumas técnicas como a meditação e a entoação de cânticos, ela conseguiu finalmente estabelecer uma conexão com Deus. A apenas 30 km da Pauliceia, na cidade de Cotia (SP), é também possível desapegar-se da rotina, se isolando em retiros de yoga, meditação e silêncio nos templos Odsal Ling e Zu Lai. Os dois possuem restaurante de comida vegetariana, base da dieta de Liz nessa fase da viagem.

• TEMPLO ZU LAI – É o maior da América do Sul e faz você se sentir em um cenário de um filme oriental. Seu projeto foi inspirado no estilo arquitetônico oriental dos palácios da Dinastia Tang e foi desenvolvido em conjunto por arquitetos chineses, taiwaneses, japoneses e brasileiros. As obras foram concluídas em outubro de 2003, e desde então o templo se dedica a solidificar e nacionalizar os princípios do Budismo no Brasil. Logo na entrada, Budas e Arhats dão as boas-vindas aos visitantes. Endereço: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1.461 (Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares). Se interessou? Clique aqui e veja mais detalhes desse templo.

• TEMPLO ODSAL LING – O terreno foi comprado em 2001, no alto de uma colina, graças a generosidade de alunos da sanga do Chagdud Gonpa espalhados por todo o mundo. Hoje, consiste em um exemplar autêntico da arquitetura tibetana, com riqueza de cores e ornamentos. Algo impensável de se ver em terras brasileiras. Endereço: Rua dos Agrimensores, 1.461 – Cotia (SP). Se interessou? Clique aqui e veja mais detalhes desse templo.

PARTE III: AMAR

Liz finalmente parte para a Indonésia, sua última parada nessa viagem em busca de si mesma. E é em Bali que ela vai encontrar, além de conhecimento e novos amigos, o amor e a paz que tanto buscou. Não sei se foi destino ou sorte que fez com que ela conhecesse um cara legal em Bali (e brasileiro!). Mas a única certeza que tenho é a de que ficar em casa – com tanto lugar legal – não é a melhor das opções quando o seu intuito é conhecer gente bacana e interessante. São Paulo possui mais de 2.000 casas noturnas, 15 mil bares e 13 mil restaurantes. É claro que tudo vai depender do seu perfil.

• PARQUE DO IBIRAPUERA – Ficar em forma e ganhar condicionamento são motivos que levam muita gente a pular da cama e calçar um par de tênis. Mas, para alguns solteiros, o motivo está justamente nos corredores. Além do clima agradável, esse parque está cheio de gente bonita, atlética e simpática. Quer mais motivos para começar aquela caminhada tão adiada??? Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana.

• BAR BLÁ – Confesso nunca ter ido, mas algumas amigas garantem que só tem gente bonita e que o clima de azaração nesse bar é forte. Bom, é só uma ideia. Endereço: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 5.003 – Jardim Paulista.

• VILA MADALENA – Os bairros de Pinheiros e Vila Madalena têm opções incríveis para os baladeiros de plantão. Experimente o Bar Secreto (Rua Álvaro Anes, 97 – Pinheiros), o SubAstor (Rua Delfina, 163 – Vila Madalena) e a Mercearia São Pedro (Rua Rodésia, 34 – Vila Madalena). Quem frequenta garante que dá para se divertir e conhecer gente legal.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 22.01.15.

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Cidadela medieval em plena Serra da Cantareira

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Quem não conhece o Velhão, está em tempo. O conjunto murado em plena Serra da Cantareira é incrível, pois é capaz de nos transportar para uma outra época. É como se você estivesse em uma cidadela medieval. E isso tudo a alguns quilômetros do centro de São Paulo.

O lugar impressiona também pelo acabamento. Olhando bem de perto, depois de atravessar o portal, você percebe que tudo ali foi construído com material de demolição, como telhas, tijolos, esquadrias, luminárias de rua, imagens decorativas de fontes, banheiras de ferro, etc.

Explico o motivo: A construção concebida por Moacyr Archanjo dos Santos, o tal “velhão” (já falecido), foi inicialmente um modesto barracão para seus trabalhos com marcenaria, servindo também de depósito para as peças de demolição que ia encontrando e julgava ser “material artístico”.

Trabalhando com o que então era lixo para a maioria das pessoas, Moacyr expandiu seu acervo e adquiriu mais lotes, sempre apoiado por sua esposa, atual proprietária do complexo. Dona Iracema, ou melhor dizendo, a “Véia”, deu continuidade ao sonho do seu então falecido marido. Capacitou jovens da comunidade local para as oficinas de marcenaria e serralheria e com isso, acabou construindo uma cozinha para uso exclusivo dos funcionários/aprendizes. Começaram a surgir os primeiros clientes e Dona Iracema resolveu transformar a cozinha em restaurante. Se chama “As Véia”.

O Velhão hoje é mais ou menos isso: um complexo de ambientes – um restaurante, cinco bares, algumas lojinhas, uma serralheria que atende sob encomenda, uma marcenaria que vende materiais de demolição, uma capela, uma escola que atende às crianças da comunidade e um posto de atendimento médico – construído em meio ao verde da Mata Atlântica com material de demolição reciclado. Um lugar disponível a imaginação; mais sensível do que descritível. Só indo lá pra ver.

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P.S 1: Por ser cercado por mata, o Velhão costuma ser visitado por animais diversos. Alguns são tão desinibidos que fazem verdadeiras performances.

P.S 2: Nenhum dos estabelecimentos aceita cartão de crédito ou débito. Ou seja, leve dinheiro e chegue cedo. No fim de semana, o restaurante “As Véia” costuma encher e ter fila de espera depois das 13hs. Já os bares, só abrem depois das 18h.

O Velhão: Estrada Santa Inês, 3.000 – Mairiporã – São Paulo / SP

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 16.10.14.

Pra se sentir em Paris sem sair de São Paulo

O grande barato de sair caminhando pela cidade é você se deparar com os mais inusitados sujeitos, lugares e situações. Uma atividade interessante e muitas vezes surpreendente. Algo que todos deveriam praticar com mais frequência, ainda que a rotina acabe tirando um pouco desse prazer e desse olhar embasbacado de turista.

Como faz pouco tempo que moro em São Paulo, ainda fico de olhos abertos pra essa cidade de contrastes e cenários tão diferentes. Dia desses, por exemplo, ao me deparar com uma “Pont des Arts” em plena Av. Paulista, fiquei pensando nas muitas contribuições da cidade luz à terra da garoa.

Traços da arquitetura da Belle Époque francesa do final do século XVIII estão presentes por todos os lados. E os maiores exemplos disso são o Museu do Ipiranga, o Teatro Municipal e o Parque da Luz. Mas a influência francesa vai além na capital paulistana. Se manifesta também no estilo de vida.

Em São Paulo, há diversas boulangeries, pâtisseries e bistrots, sem falar na enorme variedade de produções francesas em cartaz (basta entrar no site do cinema do Reserva Cultural). Há também spas da marca francesa L’Occitane, algumas “Sephoras” e uma livraria que prioriza os autores do país europeu. Sim, tudo isso em São Paulo.

Já a Pont des Arts paulistana com seus cadeados do amor é coisa nova. São apenas 25 cadeados, mas quem sabe o início de mais uma tradição parisiense em São Paulo. Foram colocados na grade que rodeia o buraco do túnel José Roberto Fanganiello, na saída da Av. Paulista (Praça do Ciclista). Como não há nenhum rio Sena por perto, algumas dessas chaves foram lançadas no próprio túnel, para serem atropeladas pelos carros. Uma adaptação não tão romântica as características locais. Ahhh mas importante mesmo é o amor. Certo?!

Alguns endereços para você entrar no clima da cidade Luz:

 Paradis Délices Français

Famosa entre os cariocas, acaba de inaugurar uma unidade em São Paulo. Fica na rua Haddock Lobo, 1380. Lá, é possível encontrar os famosos macarons do chef francês Pierre Cornet-Vernet (R$4,60 a unidade), feitos a partir de ingredientes bem brasileiros, como brigadeiro, caipirinha, beijinho de coco, hortelã com abacaxi, entre outros sabores. Há também outros clássicos da pâtisserie francesa, como o éclair e a mademoiselle (bombom de marshmallow). Tudo uma delícia! – ver aqui matéria que fiz na Paradis.

 Ladurée

Diretamente da Champs-Élysées, a confeitaria francesa de luxo cujo maior chamariz é a linha de macarons, conta com uma unidade na Pauliceia. São 15 versões do doce colorindo a vitrine, entre eles os de alcaçuz, limão siciliano e café, além dos tradicionais pistache e chocolate. Como sua produção vem de fora, passando por um processo de congelamento até chegar aqui, figura entre os macarons mais caros da cidade (R$9,90 a unidade). Onde? Shopping JK (piso térreo).

• Faire La Bombe

Além dos famosos macarons, outra iguaria de sucesso na cidade luz é a bomba (ou éclair). Em São Paulo, é possível encontrar uma loja especializada no doce, com versões também salgadas. Onde? Rua dos Pinheiros, 223.

• La Tartine

Instalado num sobrado na Rua Fernando de Albuquerque, 267 (Consolação), o bistrot conta com um cardápio reduzido, porém incrível. Não deixe de experimentar o quiche de queijo de cabra. Uma delícia!

• Quartier du Pain

Em um ambiente elegante nos Jardins, diferentes tipos de pães são preparados diariamente. Há versões inspiradas em receitas de diversos países, como é o caso do pão à base de arroz (alusão ao Japão) e o de chá verde (referência ao Vietnã). Há também versões muitos criativas como o de café com gotas de chocolate e o multigrãos com uva passa ao vinho tinto. Onde? Alameda Lorena, 2019 – Jardim Paulista.

• A Queijaria

Um dos produtos mais adorados pelos franceses é o queijo. Ele também é muito adorado pelos brasileiros, mas infelizmente é difícil encontrar boas opções nos supermercados brasileiros, principalmente se a sua ideia for comprar um queijo de origem nacional. Aí é quase impossível. Pensando nisso, A Queijaria, inaugurada em 2013, abriu as suas portas para atender aos milhares de fãs da iguaria desejosos por novos sabores nacionais. Um alívio! Endereço: Rua Aspicuelta, 35 – Vila Madalena.

• Sephora

A maior rede de cosméticos do mundo, fundada em Paris em 1970, já conta com 5 endereços na capital paulista. Seguem o padrão internacional, com uma enorme quantidade de produtos organizados por seção (skincare, cabelo, banho, unhas, acessórios e fragrâncias) e por marca. Endereços: Shopping JK Iguatemi, Morumbi Shopping, Shopping Eldorado, Shopping Pátio Paulista e Shopping Cidade Jardim.

• Livraria Francesa

Como o próprio nome sugere, é especializada em autores do país europeu. São mais de 20 anos de engajamento na difusão do livro e da cultura francófona em São Paulo. Onde? Rua Barão de Itapetininga, 275 – Centro.

• Spa L’Occitane

Em 5 endereços da capital, a L’Occitane traz as fragrâncias da Provence, em tratamentos para o corpo e a mente. Endereços no seguinte link: http://br.loccitane.com/conheça-o-spa l’occitane,43,2,37087,371386.htm

• Reserva Cultural de Cinema

É um dos cinemas mais bacanas da cidade com uma programação alternativa que privilegia produções europeias – com destaque para o cinema francês – e latino americanas. O cinema divide espaço com um café, restaurante e livraria, e conta com uma parede de vidro com vista para a Av. Paulista. Endereço: Av. Paulista, 900. Programação disponível no site http://www.reservacultural.com.br/cinema.asp?id=4.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 09.10.14.

Da Bolívia a Suíça em alguns minutos

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Quem sempre sonhou conhecer o mundo, mas não se dispõe a pagar o que é cobrado pelas companhias aéreas, terá boas opções na Pauliceia. É que em vários pontos da cidade é possível ter um pouquinho do mundo gastando quase nada. E o melhor de tudo: podendo ainda levar todos os seus amigos, sem correr o risco de voltar da “gringa” com um álbum só de selfies.

Viajar pela Pauliceia é fácil mesmo. Não exige passaportes, vistos e nem 1 mês de férias. É possível em um único dia dar um pulo no Japão, meditar, comer um lamen, comprar balas de algas, cadernos para origamis e fechar a noite em uma cantina Italiana, daquelas que parecem frequentadas pela máfia. Ou ainda, passar o dia na Bolívia com tudo que se tem direito – salteñas, flautas de pã e malhas andinas – e a noite, saborear um chocolate oriundo dos Alpes Suíços. Dá pra ir, sim. E foi exatamente o que fiz num domingo desses.

Fui de carro com uns amigos, mas poderia ter ido de metrô. Descobri depois que a estação Armênia (linha azul) fica a apenas 700 metros da Praça Kantuta. E é nessa praça, cujo nome faz referência a uma flor que cresce na região dos Andes e tem as mesmas cores da bandeira da Bolívia, que mais de 2 mil bolivianos se reúnem aos domingos para comer, ouvir músicas e até cortar o cabelo. É uma feira deles para eles mesmos com o objetivo de manter viva a cultura que tiveram que deixar para trás. O idioma oficial, como você pode imaginar, é o espanhol. Mas não se intimide: há vários cartazes em portunhol para facilitar a comunicação com os “turistas”.

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Não preciso dizer que me senti estrangeira no meio de tantas pessoas de olhos levemente puxados, pele morena e cabelos escuros. Mas isso de forma alguma foi um problema. Eu garanto que você será muito bem recebido e sua atenção será disputada.

Barraquinhas

Na feira boliviana, há várias barraquinhas de comidas típicas (como salteña, chicharrón e fricasé), de produtos locais (como a cerveja boliviana Paceña, o refrigerante Inca Kola e o suco Fresco de Quizá), de CDs de bandas bolivianas e de artesanatos. Para aproveitar melhor tudo isso, adote a postura da “distribuição de renda”: Não deixe para comer ou comprar tudo no mesmo lugar. Experimente várias barraquinhas e descubra em qual delas é vendida a melhor salteia, por exemplo.

Na Praça Kantuta, há também barraquinhas exclusivas para bolivianos. Nelas, eles podem obter informações sobre o processo de legalização no Brasil, tirar a carteira de trabalho, enviar dinheiro ao exterior, comprar bilhetes telefônicos, passagens de ônibus para La Paz e até se matricular em aulas de português. Como já mencionei, a feira serve de ponto de encontro da comunidade boliviana em São Paulo e por isso, o clima é de união, celebração e também de cooperação.

Rumo aos Alpes Suíços

Depois de assistir a uma apresentação de dança folclórica realizada às 16h, decidimos deixar a Bolívia rumo aos Alpes Suíços e experimentar o chocolate que é considerado o melhor do planeta. O percurso, feito de carro, durou apenas 25 minutos (rápido, né?!) e a parada foi em uma chocolataria suíça localizada no bairro dos Jardins: a MY SWISS CHOCO. Já escrevi sobre essa loja aqui. Vale a pena ler o post. E assim, “atravessamos o oceano” sem turbulências, sem conexões e sem o menor risco de ter a mala extraviada. Fica a dica.

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Em São Paulo, a Bolívia fica na Praça Kantuta, todo domingo, das 11h às 19h. Se você for de metrô, desça na estação Armênia, saída para a Rua Pedro Vicente. A Praça Kantuta está a apenas 700 metros da estação. A My Swiss Choco conta com três endereços em São Paulo: Rua Haddock Lobo, 1.327 / Shopping Villa Lobos / Morumbi Shopping.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 25.09.14.

São Paulo a muitos metros de altura

Nas cidades mais cosmopolitas do mundo, os mirantes são sempre uma atração mais do que esperada. A Torre Eiffel que o diga. É o tipo de foto que todo turista que se preze faz e que o nativo, pelo menos uma vez na vida, acaba se rendendo ainda que na condição de guia para seus amigos de fora.

Turístico ou não, o fato é que para captar a grandiosidade de uma cidade é preciso vê-la de cima, onde a visão se amplia. E com a cidade de São Paulo não é diferente.

Assim que cheguei à cidade, logo tratei de conhecê-la de cima. Todo mundo sabe que a Pauliceia é grande, cheia de arranha-céus, viadutos e avenidas. Mas a centenas de metros de altura, é possível ver um panorama absolutamente diferente, composto também por rios, vales, picos e serras. Sim, a Pauliceia possui diferentes personalidades e só do alto dos seus mirantes é possível enxergar todas essas facetas. É ver pra crer, ou pra no mínimo, se surpreender.

Entre os mirantes mais legais que visitei, estão alguns arranha-céus, uma praça e um parque:

• Banespão (Edifício Altino Arantes)

Com seus 161 metros de altura e formato “bolo de noiva”, já foi considerado um dos maiores do mundo. É um dos símbolos de São Paulo e o mirante no seu topo oferece uma vista panorâmica da cidade. Dele, é possível ver o centro antigo, incluindo grandes ícones culturais, como a Catedral da Sé, o Mosteiro de São Bento, o Mercado Municipal e o Viaduto Santa Ifigênia. A visitação é gratuita e acontece de segunda a sexta-feira, das 10 às 15 horas. Endereço: Rua João Brícola, 24 – Centro (Metrô São Bento).

• Copan

Com sua inconfundível forma em “S”, é considerado o maior edifício residencial da América Latina e um dos cartões-postais da cidade. Foi projetado por Oscar Niemeyer e conta com 115 metros de altura e 35 andares (sem contar a cobertura). Entre os atrativos que podem ser vistos da cobertura estão o Edifício Itália, a Igreja da Consolação, a Marginal Tietê e a Avenida Paulista, facilmente reconhecível por suas antenas. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira (exceto feriados), em horários curtos: das 10h às 10h30 e das 15h às 15h30. Endereço: Avenida Ipiranga, 200 – Bloco F (sobreloja) – Metrô República.

• Edifício Itália

É considerado o segundo maior edifício da cidade, com 165 metros de altura. É no topo deste prédio que se encontra o famoso restaurante “Terraço Itália”, um dos mais caros da Pauliceia. É possível apreciar a paisagem urbana a partir do alto do Itália durante toda a semana e entre os pontos conhecidos que podem ser vistos, estão: o Banespão, o Copan e o Elevado Costa e Silva. A visitação ocorre de segunda a sexta, das 15h às 16h. Endereço: Avenida Ipiranga, 344 – 41º andar – Metrô República.

• Edifício Martinelli

Assim como o Banespão, já foi considerado um dos mais altos do mundo. Sua construção foi um grande acontecimento para a cidade. O empreendedor da obra, o italiano Giuseppe Martinelli, concluiu sua meta de 30 andares construindo sua própria mansão no topo do prédio. E é do seu terraço, aberto ao público, que é possível ter uma visão do centro antigo. A visitação ocorre de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30. Endereço: Avenida São João, 35.

• Praça do Pôr-do-Sol (Praça Coronel Custódio Fernandes)

Localizada no Alto de Pinheiros, é muito pouco conhecida pelo seu nome oficial. É o endereço certo pra quem deseja apreciar um belíssimo pôr-do-sol na cidade. Garanto que a vista que a praça oferece é bem diferente daquela que habita o imaginário coletivo. Ao invés dos arranha-céus e viadutos, você verá muuuuito verde. Endereço: entre a Rua Desembargador Ferreira França e a Rua dos Macunis.

• Pico do Jaraguá

É conhecido por ser o ponto mais alto da cidade. O pico chega aos 1.135 metros de altitude e conta com um mirante que permite, assim como a Praça do Pôr-do-Sol, uma perspectiva bem diferente da cidade. O pico se encontra dentro do Parque Estadual do Jaraguá, uma reserva de Mata Atlântica declarada patrimônio natural da humanidade pela Unesco em 1994. É uma vista realmente imperdível e para chegar até o mirante, é possível ir de carro ou por trilhas. O parque fica aberto diariamente, das 7h às 17h. Endereço: Rua Antônio Cardoso Nogueira, 539 (Acesso pela Rodovia Anhanguera, Km 18).

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 28.08.14.