Retiro express em templo tibetano

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Apesar de amar viver em São Paulo, preciso confessar que às vezes, fico um pouco desanimada com o ritmo de vida que ela exige. Ter a vida – casa, faculdade e trabalho – resolvida num raio de 25 km é um luxo do qual poucos dispõem. Trabalhar num esquema “home office” também está fora de cogitação para 99,99% das pessoas. Portanto, acredito que para compensar essa vida a toque de caixa, repleta de congestionamentos, filas, metas e compromissos inadiáveis – enfim, uma rotina que assusta -, é preciso tornar o final de semana um momento sagrado e tranquilo.

Buscar a paz interior em um templo budista implicaria um ano sabático, uma grande viagem de peregrinação – até a China, Tibete ou Camboja – um orçamento pra lá de generoso e claro, que você renunciasse a essa vida caótica da qual, no fundo, você tanto curte. Mas, uma vez estando em São Paulo, é possível ir em um final de semana.

A apenas 30 km da Pauliceia, na cidade de Cotia (SP), é possível desapegar-se da rotina, se isolando em retiros express de yoga, meditação e silêncio no Templo Odsal Ling. O terreno foi comprado em 2001, no alto de uma colina, graças a generosidade de alunos da sanga do Chagdud Gonpa espalhados por todo o mundo. Hoje, consiste em um exemplar autêntico da arquitetura tibetana, com riqueza de cores e ornamentos. Algo impensável de se ver em terras brasileiras.foto7 foto4 foto3

Difícil é não cair no lugar comum de chamar o local de “surreal”. Ele chama a atenção dos visitantes já na entrada, graças a sua arquitetura de estupas – o famoso pagode, tão comum no oriente – e também pela tranquilidade daqueles que habitam suas dependências.

Além do silêncio magistral, o templo possui um colorido intenso e harmônico, composto de estátuas, mandalas, lamparinas, preces e rodas de oração (cilindros rotatórios). É possível aprender um pouquinho sobre os ensinamentos do Budismo com os guias locais, comer em um restaurante vegetariano, fazer uma aula de yoga (veja datas e horários) e até meditar. É, portanto, um ótimo lugar para relaxar, renovar as energias e começar bem 2015.

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Templo Odsal Ling: Rua dos Agrimensores, 1.461 – Cotia (SP) / Fone: (11) 4703-4099 e 3885-3945.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 08.01.15.

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Um parque com 22 jardins

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Campos do Jordão é famosa pela temporada de inverno, quando diversos turistas vão até lá para curtir o frio. Mas é importante lembrar que a cidade oferece outras boas razões, além da badalação dos bares, dos chocolates e dos fondues, para ser visitada durante os 12 meses do ano. E o Amantikir é uma dessas razões.

Imagine um parque com 22 jardins inspirados em estilos paisagísticos de várias partes do mundo. Imaginou? Some isso a 800 espécies de plantas e também a um cenário pra lá de privilegiado em plena serra de araucárias e manacás. E aí, conseguiu? O Amantikir é tudo isso e mais um pouco. Um lugar de contemplação, tranquilidade, sossego e com algumas atrações até bem divertidas.

Em meio as lindas paisagens contemplativas, o parque oferece desafiantes surpresas aos seus visitantes, como um labirinto de arbustos e um caminho tortuoso feito na grama. É, portanto, um ótimo programa para ser curtido com a família, a dois e até mesmo sozinho. Por que não?!

Dizem que a cada estação do ano, ele oferece um espetáculo diferente. No verão, as flores costumam estar mais exuberantes e no outono, a folhagem ganha tons quentes. Assim sendo, não deixe pra ir ao Amantikir só no inverno.

03b 04b 05b 10bAmantikir Garden: Rodovia Campos do Jordão Eugênio Lefreve, 215.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 11.12.14.

Por um final de semana tranquilo

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Como um típico morador da cidade, paulistano ou não, você deve ter um dia a dia estressante e corrido na Pauliceia. A cidade tem um ritmo frenético mesmo e para acompanhá-la é preciso se adaptar, abrindo mão dos almoços-eventos e do papo sem pressa com as amigas.

Para compensar essa vida a toque de caixa, você precisa tornar o seu final de semana um momento sagrado e tranquilo e isso não significa necessariamente ir até um templo budista. Mas até que pode ser uma boa ideia.

O Templo budista em questão fica no município de Cotia, a apenas 40 minutos da capital. É o maior da América do Sul e faz você se sentir em um cenário de um filme oriental. Seu projeto foi inspirado no estilo arquitetônico oriental dos palácios da Dinastia Tang e foi desenvolvido em conjunto por arquitetos chineses, taiwaneses, japoneses e brasileiros. As obras foram concluídas em outubro de 2003, e desde então o templo se dedica a solidificar e nacionalizar os princípios do Budismo no Brasil.

Logo na entrada, Budas e Arhats dão as boas-vindas aos visitantes. A diferença entre eles é que o Buda alcança a iluminação por si mesmo, enquanto o Arhat atinge a iluminação seguindo os ensinamentos de outros.

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Depois de passar pelos Budas e Arhats e subir as escadarias, chega-se ao templo propriamente dito. Ao fundo está a Sala do Grande Herói onde você pode entrar para meditar, se estiver em sintonia com as regras de etiqueta exigidas pelo local. Portanto, nada de decote, regata ou chinelo.

No complexo há também diversas outras salas para meditação, um museu sobre a filosofia budista, um lindo jardim zen com um lago repleto de carpas, uma cafeteria e um restaurante vegetariano. Independente de qual seja sua religião, vale a pena passar uma manhã ou uma tarde no local.

O templo emana uma energia diferente que te deixa mais leve e também em paz. Ideal para aprender um pouco mais sobre o Budismo e, quem sabe, começar a colocar em prática seus ensinamentos no dia a dia. Isso, claro, se a frenética São Paulo permitir.

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Templo Zu Lai: Estrada Municipal Fernando Nobre, 1461 (Km 28,5 da Rodovia Raposo Tavares). Horário: 3ª a 6ª feira, das 12h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h. Como chegar: É possível ir de ônibus regular, mas não recomendo. O ônibus é o “Pinheiros-Cotia” que passa na Praça Waldemar Ortiz (atrás da estação Butantã do metrô). Não recomendo porque a descida além de ser no acostamento da Rodovia Raposo Tavares, ainda é preciso caminhar muito até o templo. O jeito mais legal e seguro de chegar, pra quem não tem carro, é através da linha de ônibus subsidiada pelo próprio templo. A partida é feita na Rua Dr. Rodrigo Silva ao lado da loja Ikesaki, próximo a Estação Liberdade do metrô, às 8h30 (somente aos domingos). A volta é às 16h a um custo de R$10,00/pessoa ida e volta. A entrada no templo é gratuita. Mais detalhes aqui: http://www.templozulai.org.br/

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 14.08.14.

Uma vila inglesa a poucos quilômetros de São Paulo

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Quem me conhece sabe que sou uma das maiores fãs de São Paulo. Por aqui tem sempre uma exposição legal acontecendo, vários restaurantes charmosos e incontáveis feiras livres. Esse espírito dinâmico e multicultural de São Paulo acaba me prendendo quase sempre por aqui e não há um final de semana que eu precise quebrar a cachola atrás de um programa diferente.

Dito isso, sem querer parecer contraditória ou bipolar, preciso confessar que às vezes também curto sair de São Paulo. Mas não precisa ser pra muito longe. Há muita coisa bacana a poucos quilômetros da capital. E o melhor é que você não precisa de carro pra isso.

A CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – disponibiliza desde 2009 um serviço aos finais de semana chamado “Expresso Turístico”. São bate-voltas partindo sempre de São Paulo (da Estação da Luz) até as cidades de Jundiaí, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba. A viagem é feita a bordo de uma composição totalmente reformada, composta por dois carros fabricados no Brasil na década de 50. É, portanto, uma excelente opção de turismo na Região Metropolitana de São Paulo.

Comprei para um domingo desses a passagem até Paranapiacaba (R$34/pessoa – ida e volta). A partida aconteceu às 8h30 e o percurso durou aproximadamente 1h30. Chegando lá, tive a chance de completar o passeio adquirindo um tour com guia oferecido pela agência Rizzatour. Eram três opções de tour: cultural, histórico/ambiental e ecológico (R$88/pessoa incluindo almoço). Mas por fim, acabei optando por curtir o lugar por conta própria.

A vila ferroviária de Paranapicaba, localizada no município de Santo André, é um desses lugares ideais pra caminhar sem pressa, observando os detalhes. Seu estilo “victorian”, proveniente da ocupação inglesa na Serra do Mar para construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí (no final do Século XIX), está presente em todas as casas.

Da maior delas, chamada de “Castelinho”, é possível ter uma visão panorâmica de Paranapiacaba. Vale a pena visitar essa construção que já serviu de residência do engenheiro-chefe da ferrovia e hoje é museu. Se encontra no ponto mais alto da cidade e por isso mesmo, possui uma vista privilegiada.

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Outra construção emblemática da cidade é o relógio. Tido como um dos cartões postais de Paranapiacaba, ele é uma réplica do Big Ben. Outro lugar imperdível é o Museu Ferroviário; o famoso cemitério de trens. É um cenário bastante rico pra fotos, principalmente se você pegar um dia de neblina.

Por falar em neblina, algo muito comum por lá, eu mal pude enxergar a cidade assim que cheguei. Até pensei em pegar a excursão oferecida pela Rizzatour para não me perder. Mas o que poderia ser encarado como mal tempo, acabou contribuindo para o passeio. A neblina deu o tom da viagem, transformando a vila em um lugar inóspito da Inglaterra do século XIX. E isso tudo a apenas 60 km da capital.

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O Expresso Turístico parte aos domingos para Paranapiacaba; para Mogi das Cruzes, no segundo sábado do mês e para Jundiaí nos demais sábados. As passagens devem ser compradas com muita antecedência pois sempre lota e são poucas as vagas. O valor para uma pessoa custa R$32 e R$51 para duas. Esses valores incluem somente a passagem e qualquer passeio extra dentro da cidade deve ser comprado à parte, na agência Rizzatour.

Mais detalhes aqui: http://www.cptm.sp.gov.br/Expresso%2DTuristico/

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 07.08.14.