Um lugar em São Paulo que não vai deixar você esquecer o que foi a repressão política no Brasil

IMG_1476Dia desses, saiu uma lista no site BuzzFeed com 30 lugares deslumbrantes em São Paulo que fariam você se sentir um turista. Já conhecia alguns, mas a maioria eu nunca sequer tinha ouvido falar. E olha que eu exploro! Poderia usar como desculpa o fato de não ter nascido aqui, mas infelizmente, esse argumento não é válido. Já moro aqui há tempo suficiente para conhecer ou ao menos, ter uma vaga ideia de sua existência. Acho que o problema mesmo, na maioria dos casos, é a falta de divulgação.

Decidi então escolher um lugar para conhecer e, no último final de semana, tive a grata surpresa de visitar esse museu tão pouco lembrado pelos nativos mas, nem por isso, menos importante: o Memorial da Resistência de São Paulo. Fica no bairro da Luz, pertinho do Jardim da Luz, da Pinacoteca e do Museu da Língua. É, portanto, um lugar de fácil acesso e incrivelmente pouco conhecido. E olha que o prédio tem história.

Foi inaugurado em 1914 para abrigar os escritórios e armazéns da Companhia Estrada de Ferro Sorocabana. A partir de 1938, sofreu várias reformas e passou a sediar diversas delegacias vinculadas ao Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo; o Deops/SP. Até 1983, foi um importante órgão de repressão do Estado monitorando as atividades de pessoas e grupos considerados potencialmente perigosos à ordem vigente.

Portanto, nos espaços hoje dedicados a exposições e instalações, muita gente morreu e foi torturada. As suas celas foram mantidas com o intuito de preservar a memória da resistência e da repressão políticas no Brasil. A primeira delas fala sobre o processo de implantação do Memorial da Resistência; a segunda cela presta uma homenagem aos milhares de presos desaparecidos e mortos, em decorrência das ações do Deops/SP, através de uma instalação artística feita com máscaras; a terceira é uma reprodução impecável de uma cela com registros espalhados pelas paredes – nomes, mensagens de despedida e desabafo – e a quarta cela oferece uma leitura da solidariedade entre os que estiveram encarcerados a partir de relatos transmitidos via fones de ouvido. Tudo muito emocionante.IMG_1473IMG_1484IMG_1478IMG_1491IMG_1486

Além da exposição permanente sobre a repressão militar no Brasil, o Memorial da Resistência abriga exposições temporárias sempre relacionadas à temática justiça/repressão/resistência. Atualmente, é possível conferir a expo “119” realizada pelo artista chileno Cristian Kirby. O trabalho apresenta o caso da “Lista dos 119”, ocorrido durante a ditadura chilena. Visando desqualificar as organizações opositoras, uma operação movida pelo governo chileno e com o apoio da imprensa, culminou com a publicação de duas listas em 1975, uma no Brasil e outra na Argentina, com os nomes de pessoas que estavam desaparecidas. As manchetes falsas anunciavam que haviam se matado umas às outras, como ratos. Vale a pena conferir! Até 18 de março.

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Memorial da Resistência de São Paulo: Largo General Osório, 66 – Luz.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 05.02.15.

Museu ao ar livre

O programa em questão é um desses que, à primeira vista, pode causar uma certa estranheza sobre a condição “turística”. Mas deixando o preconceito de lado, é possível enxergá-lo como uma ótima opção para aprender um pouco sobre arte e história.

O programa é esse mesmo que você está pensando. Já estou lendo seus pensamentos: “não acredito que ela vai falar de cemitério”. Ora, se essa ideia soa tão desagradável, recomendo pular para o próximo post. 

O Tour no Cemitério da Consolação tem até guia turístico para contar a história dos túmulos e de seus donos. O nome dele é Francivaldo, também conhecido como Popó devido à semelhança física com o boxeador. É cearense e, assim como eu, mais um filho adotivo de São Paulo. Chegou na década de 80, ainda jovem, em busca de oportunidades de trabalho. Depois de trabalhar como porteiro, pedreiro, entre outras coisas, trabalhou como sepultador no Consolação.

Durante o expediente, ainda como sepultador, Popó corria para a tumba mais próxima do grupo de visitantes monitorado pelo seu chefe: o professor Délio Freire dos Santos, pioneiro na ideia de visitas monitoradas por cemitérios paulistanos. Tentava ouvir a explicação, os nomes e as datas, escondido atrás das lápides. Anotava nas mãos tudo o que iria pesquisar depois na biblioteca.

Em 2000, Popó foi promovido: de coveiro a monitor. Seu tour sobre as várias personalidades presentes no Consolação, como Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade, é imperdível. Experimente perguntá-lo sobre qualquer nome de rua da região que ele dirá quem foi e onde se encontra enterrado. Sensacional!

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Visita monitorada ao Cemitério da Consolação:
Acontece de segunda a sexta, com uma hora de duração. É preciso ligar para o telefone (11) 3396-3815/3833 para agendar. Gratuita.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 27.11.14.

Você já foi ao Museu dos Óculos?

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Nem todo mundo é consciente da importância que eles têm na formação da imagem. Podem ser discretos ou chamativos, mas como regra geral, devem ser usados para complementar a imagem que se deseja passar, em harmonia com o estilo e a necessidade de uso. Agora o que quase ninguém sabe é que através deles podemos entender um pouco sobre a sociedade: seus costumes, crenças e ideologias.

Esse é sem dúvida um dos museus mais diferentes da Pauliceia. Fica no bairro da Bela Vista, no piso superior de um casarão datado de 1918. Trata-se de uma coleção particular que virou exposição permanente e o único museu dedicado ao assunto da América Latina.

O colecionador é um capítulo a parte, muito conhecido entre as celebridades por fazer milagres. Foi ele quem ajudou a deixar o Maluf menos arrogante e o Delfim Neto, mais simpático. No primeiro caso, tirou os óculos pesadões e grandes e os substituiu por um modelo leve e discreto. No segundo, aliviou o centro de expressão do político sem descaracterizar sua imagem. Foi ele também que ajudou a trazer equilíbrio para o rosto do Lula e personalidade para o rosto de vários artistas, como Daniela Mercury, José Wilker e Jô Soares.

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Miguel Giannini, conhecido como o maior esteta ótico do Brasil, decidiu expor a sua coleção de óculos depois de adquirir esse imóvel da Bela Vista. E assim, nasceu esse museu que é uma verdadeira viagem de séculos pela história.

O modelo mais antigo da coleção é uma peça de madeira da China, usada pela aristocracia, 500 a.C. Como o grau ainda não havia sido descoberto, a peça só era usada como acessório. Demonstrava poder e riqueza e só as castas superiores tinham direito ao uso. Às pessoas do povo, óculos só em três situações: para diferenciar os portadores de doenças mentais e neurológicas, afastar maus espíritos e aplacar dores de cabeça.

O segundo modelo mais antigo da coleção foi descoberto na cidade alemã de Nuremberg, no século XIII. É um modelo de ferro, pesado e feio, usado como lente de aumento pela aristocracia europeia e alguns membros da igreja. No museu, há também uma série curiosa de pince-nêz do final do século XIII. São modelos leves, criados para serem fixados na ponta do nariz.

Contemporâneo do pince-nêz, o Lorgnon tem como característica uma haste lateral de comprimento variável de acordo com o estado civil do homem: solteiros (7 cm) e casados (4 cm). Não preciso mencionar que nessa época, os óculos ainda são de uso exclusivo masculino. Louco, né?!

No século XIX, apesar dos vários modelos existentes, o preconceito contra o uso dos óculos ainda era grande. E na coleção do Miguel há um modelo de óculos que retrata essa necessidade em disfarçar o seu uso. A peça, encomendada pelas mulheres ricas da época, lembra muito mais um leque e de forma bem discreta, esconde uma lente no final da haste. Os óculos ainda causavam repulsa e constrangimento.

A verdade é que até algumas dezenas de anos atrás, eles ainda eram considerados uma prótese, usados para aliviar um defeito físico. Somente na década de 30, seu uso mudou. As armações leves e elegantes com aros para perto e para longe introduziram um novo conceito consolidado nos anos 70, com armações ainda mais leves e coloridas. Passaram então a compor o uniforme dos jovens contestadores da ditadura até se converteram em tendência absoluta, presente em todos os desfiles de moda.

Hoje, os óculos fazem parte da personalidade do indivíduo e chegam a ser tão pessoais que em alguns casos conseguimos identificar o par de olhos por trás deles. É o caso dos óculos da Rita Lee. Ela é cliente do próprio colecionador e seus óculos estão no museu, assim como os de várias personalidades brasileiras também atendidas por ele. É ver pra crer!

Museu dos Óculos Gioconda Giannini: Rua dos Ingleses, 108 – Bela Vista, São Paulo (SP) / 11 3149-4000. Horário: De segunda a sexta, de 9h às 18h e sábado, de 9h às 13h. Gratuito.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 17.07.14.

Já é Natal em São Paulo

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Não estou louca. Sei que ainda falta meio ano para a celebração do Natal, mas a impressão que eu tenho é que ele chega cada vez mais cedo. Pra quem trabalha em agência de propaganda é ainda pior. Depois do Dia dos Pais, é preciso virar a chave e incorporar o espírito natalino em pleno mês de setembro. Pensar em árvores, presentes, Papai Noel, presépios, ceias e todo esse mundo iconográfico relacionado à data. A culpa? É dos anunciantes que acham que divulgando seus produtos mais cedo, venderão mais que a concorrência.

Pode reparar. Todo ano é a mesma coisa. E as empresas de telefonia, eletrônicos e eletrodomésticos são sempre as primeiras. Mas o post de hoje nada tem a ver com essa antecipação do espírito consumista, muito menos com a oferta de crédito no país. Tem a ver com um museu que mantém o espírito natalino o ano todo. Trata-se do Museu de Arte Sacra e de seu presépio de 1.600 peças exposto permanentemente em sua área externa. Foi confeccionado em Nápoles no século XVIII e adquirido em 1949 por Francisco Matarazzo Sobrinho que já naquela época, sonhava em abrir para visitação pública.

É uma verdadeira viagem no tempo e no espaço. Além da representação do nascimento de Jesus, o presépio napolitano retrata em pequenas cenas a sociedade da época: profissionais urbanos (como ferreiro, sapateiro, barbeiro, verdureiro, entre outros) e homens do campo, além de objetos, utensílios e móveis. Para entender tudo que está rolando é preciso gastar uns bons minutos e ainda assim, eu garanto que é possível se surpreender a cada visita. É muita informação!

As peças chegaram soltas da Itália e, seguindo o desejo do comprador, foram expostas na Galeria Prestes Maia no ano seguinte a aquisição. Onze meses depois, o presépio foi recolhido e guardado na Metalúrgica Matarazzo, onde permaneceu por cinco anos até ser transferido em 1956 para o antigo Pavilhão do Folclore, no Parque do Ibirapuera. Ali, ficou até 1985, quando então por questões técnicas, foi transferido para onde se encontra hoje: o Museu de Arte Sacra.

Desde 1999, é possível entrar no clima natalino a qualquer hora em São Paulo. E muito antes de qualquer anunciante.

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Museu de Arte Sacra: Avenida Tiradentes, 676 – São Paulo. De terça a sexta, das 9h às 17h e sábados e domingos, das 10h às 18h. Sábado: gratuito. Demais dias: R$ 6,00 (estudantes pagam meia).

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 03.07.14.

Migrando para São Paulo

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Sempre gostei de viajar e não sou dessas pessoas que deixam tudo a cargo das agências de viagem. Tento sempre elaborar roteiros que privilegiem pontos turísticos clássicos, sem abrir mão daqueles lugarzinhos mais remotos que só nativo frequenta. E para essa imersão ser profunda, pesquiso bastante sobre o destino escolhido.

Em geral, as minhas viagens começam 3 meses antes da partida, quando compro a passagem. Ter a passagem comprada significa que a viagem é certa, real e que vai se concretizar. A partir daí, busco todo o tipo de informação em blogs, sites, revistas e também costumo conversar com quem já foi.

Dito isso, gostaria de ressaltar que pra minha mais ambiciosa viagem, não me preparei tanto assim, contrariando tudo o que disse acima. Pra essa viagem que me tornou não turista, mas migrante, faltaram os 3 meses de planejamento prévio.

Cheguei em São Paulo em 2012, sem emprego e sem moradia. A minha sorte é que tinha amigos e pude ficar na casa deles. Não precisei ficar em uma hospedaria até as coisas se acertarem. Mas, enquanto visitava o Museu da Imigração, situado entre os bairros do Brás e da Mooca, fiquei pensando em como teria sido essa viagem 100 anos antes.

Há 100 anos, provavelmente eu nunca teria viajado sozinha. Só em caso de extrema necessidade e ainda assim, se fosse muito livre e moderna. Tendo em consideração esse cenário, teria que ficar em uma hospedaria até conseguir um trabalho. Meus bens seriam abrigados em um armazém para a higienização e eu seria encaminhada ao setor médico para a vacinação contra doenças típicas da nova cidade. Assim como as bagagens, as minhas roupas também seriam higienizadas e só então, chegaria ao setor de matrícula, onde seria registrada e receberia um cartão que daria direito a um determinado número de refeições. Ao final do dia, iria para o alojamento feminino.

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O tempo da minha permanência na hospedaria seria de aproximadamente 7 dias e durante esse período, iria à agência de colocação para entrar em contato com os agenciadores. Conseguindo trabalho, receberia dinheiro e comida da hospedaria para a viagem até o local. Provavelmente, pra alguma fazenda de café no interior. E esse teria sido meu primeiro contato com a terra nova. Bem diferente de tudo que vivi em 2012.

A ideia do Museu da Imigração é justamente essa: aproximar os visitantes dessa experiência de ser um imigrante naquela época. E a experiência já começa do lado de fora, pois o museu ocupa parte das edificações da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, construída em 1888, para atrair mão de obra para as plantações de café.

Ele é bem lúdico. Há uma sala que reproduz um dormitório, e outra, o refeitório da hospedaria com imagens dos imigrantes sendo transmitidas nas mesas. Para passar a ideia de como era a experiência individual da imigração, um grande móvel de madeira foi instalado cujas gavetas guardam reproduções de cartas escritas pelos imigrantes às suas famílias. Há também uma sequência de vídeos, com eles contando para as lentes como foi chegar a um país com uma cultura tão diferente.

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Outra coisa legal do museu é um paredão repleto de sobrenomes estrangeiros de mais de 75 nacionalidades. Não aparecem em ordem alfabética, mas com um pouco de paciência e tempo, é possível encontrar o sobrenome de muitos amigos, cujos avós e bisavós passaram pela hospedaria entre os anos de 1887 a 1978.

A experiência de migrar é sempre marcante. E quem decide se deslocar vive os mais variados sentimentos – a falta, a saudade, a separação, o novo e a descoberta. As vésperas de completar 2 anos de São Paulo, só tenho uma coisa a dizer: valeu a pena.

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Museu da Imigração do Estado de São Paulo: Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – São Paulo/SP. Horário: de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos das 10h às 17h. Valor: Gratuito durante os meses de junho e julho.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 26.06.14.

Coleção verde e amarela

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Faltando poucas horas para o início da Copa do Mundo, decidi que o clima do Mundial e as cores da Seleção Brasileira deveriam invadir esse post. E assim, para essa quinta-feira com clima de estreia pra nossa seleção, trago para vocês um endereço futebolístico que encontrei um dia desses em minhas garimpagens.

Trata-se de um colecionador e sua coleção. Ele é fã de futebol desde que se entende por gente. Já a sua coleção, foi recentemente reconhecida pelo Guinness, o livro dos recordes, como a maior em volume de documentos e publicações sobre a Seleção Brasileira. Viu?! Mais verde e amarelo que isso é impossível.

Dizem que uma coleção, qualquer tipo, nos prende ao passado. Faz sentido, afinal de contas, só é possível colecionar coisas que já existem e que têm algum valor histórico. E a história da coleção do José Renato começa mais ou menos assim: em 1954, seu avô, lá em Fortaleza, funda um time com as cores da seleção brasileira, o Floresta Esporte Clube. Esse amor pela seleção contagia seu neto, que desde muito cedo começa a guardar publicações e revistas. E algo que começa com alguns exemplares de jornais doados por seu avô, acaba dando origem a uma coleção com mais de 25.000 itens.

A coleção

Em uma casa em Mairiporã (SP), num espaço que já serviu de garagem, é possível encontrar, entre esses milhares de itens, títulos bem antigos, como “A História do Futebol Paulista” de 1924, os primeiros álbuns de figurinhas da Copa, fotos originais da construção do Maracanã, várias revistinhas do Pelezinho, publicadas pela Editora Abril na década de 50 e algumas edições da “Manchete Esportiva” com fotonovelas de jogadores.

A organização do colecionador impressiona em igual medida, já que à primeira vista, tudo parece perfeitamente arrumado. E não é só impressão. José Renato garante que os 25.000 itens encontram-se catalogados em planilhas com indicação de localização na prateleira, assunto, editora, ano de lançamento, nome, autor, e em caso de jornais, também consta dia e mês.

Antes do recorde alcançado, José Renato tentou diversas vezes permitir o acesso do maior número de pessoas possível ao seu acervo, já que compartilhar a memória do futebol era o grande sonho do seu avô. Pra isso, buscou parceria com museus e entidades similares que permitissem o livre acesso público a este material. Mas não conseguiu nem mesmo com Órgãos com estreita ligação com o futebol.Isto o motivou a buscar alternativas e o reconhecimento internacional como o do Guinness World Records foi um passo importante nesse sentido. A conquista do certificado internacional permitiu que um maior número de pessoas conhecesse a sua coleção e hoje, ele garante que não tem nenhum interesse em doá-la.

Para conhecer a coleção do José Renato é preciso entrar em contato com ele para agendar sua visitação. Vale muito a pena conhecer todo esse acervo de perto e mais do que isso, poder conversar com um aficionado por futebol, profundo conhecedor de biografias de nomes históricos da seleção e escritor de vários livros relacionados ao tema. Um verdadeiro especialista, e que está sempre com as portas da sua garagem abertas.

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Para agendar sua visitação, entre em contato com o José Renato Sátiro Santiago através do seguinte e-mail: jrssjr@uol.com.br.

Matéria publicada no São Paulo Times, dia 12.06.14.